10,17/10/2018_As sequências didáticas e as sequências de conteúdo


  • Referência: ZABALA, Antoni. A Prática Educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
Na última aula, aprendemos sobre as quatro unidades didáticas. Elas vão da mais simples à mais complexa.
Unidade 1: A unidade 1 é praticamente uma sequência didática para uma aula mais tradicional. Os conteúdos são fundamentalmente conceituais, sendo o principal objetivo do professor fazer com que o aluno saiba esses conceitos específicos. Ou seja, é uma aprendizagem mecânica. O professor transmite o conteúdo, os alunos fazem o estudo e a memorização para a prova sozinhos, de modo que não relacionamento afetivo entre aluno e professor e até mesmo entre os alunos. Essa sequência didática é mais adequada quando aplicada à explicação de conteúdos mais simples.

Unidade 2: A unidade 2 é uma sequência bastante aplicada em algumas de nossas aulas. Basicamente o professor apresenta um problema (um estudo de caso, por exemplo) para os alunos, que devem então buscar um modo de solucionar aquele problema por conta própria. Recentemente, tivemos essa metodologia em uma aula de Ecologia de Populações, onde tivemos que atuar como consultores ambientais. Nessa sequência aparecem pela primeira vez conceitos atitudinais, mas os procedimentais são básicos nessa unidade. Aqui, os alunos trocam ideias sobre os conceitos aprendidos e ainda podem formar novos conceitos.

Unidade 3: Nessa unidade, o professor apresenta um problema que, diferentemente do que ocorre na unidade 2, é discutido entre o professor e os alunos. Aqui, como a discussão do problema é uma parte essencial, os conteúdos são fundamentalmente conceituais. A partir dessas discussões, o professor pode examinar o que os alunos pensam, que opinião têm sobre o assunto ou que eventuais dúvidas os mesmos têm.

Unidade 4: Essa é a unidade "mais completa", pois é a única onde os três tipos de conteúdos são explorados quase que igualmente. Nessa sequência também são apresentadas situações problemáticas ao aluno, para que esse elabore hipóteses e tente buscar uma solução. Diferentemente das outras unidades, aqui há uma maior busca por informações. Sendo assim, essa unidade proporciona uma maior variedade de atividades. No entanto, o autor enfatiza que, com essa gama de possibilidades, é fácil se deixar levar com o trabalho em grupo e esquecer que o aluno é um indivíduo, e precisa também trabalhar sozinho para que a aprendizagem seja realmente efetiva.


Também vimos que, para Zabala, os conteúdos são divididos em três tipos: conteúdos conceituais, conteúdos procedimentais e conteúdos atitudinais. Cada um desses é ensinado de uma maneira diferente.
Ensinar conteúdos conceituais: como os conceitos são temas abstratos, o autor ressalta que devem ser feitas atividades que possibilitem ao aluno a assimilação significativa do conteúdo, que incitem o raciocínio e que possibilitem ao aluno explorar melhor os seus conhecimentos prévios. 
Ensinar conteúdos procedimentais: deve-se realizar atividades que partam de situações significativas e funcionais, ou seja, algo que seja próximo à realidade do aluno. O aluno deve saber qual a função da atividade, do contrário, não lhe servirá de nada se ele não souber como e quando aplicá-la. Aqui, o procedimento deve ser estudado como um todo, "deve se ajustar ao máximo a uma sequência clara com uma ordem de atividades que siga um processo gradual" (p. 82). Durante a atividade, o professor deve acompanhar a desenvoltura dos alunos, oferecendo-lhes "ajuda de diferente grau e prática guiada", sempre em um processo gradual, até que o aluno esteja pronto para seguir sem ajuda.
Ensinar conteúdos atitudinais: nesse caso, podemos dizer que é uma mistura do que se vê nos conteúdos conceituais e procedimentais com a adição do componente afetivo. Portanto, espera-se que as atividades sejam abordadas de formas diferentes, afinal ninguém é igual ou pensa da mesma forma. "A maneira de organizar as atividades e os papéis que cada um dos meninos e meninas deve assumir pode promover ou não atitudes como as de cooperação, tolerância e solidariedade" (p. 84). Dessa maneira, devem ser propostas atividades em que os alunos possam exercitar o que eles aprenderam de forma coletiva e ativa, proporcionando uma troca de ideias e discussões entre os alunos e até mesmo com o próprio professor. Para isso, é preciso levar em conta a realidade dos alunos, podendo até mesmo usá-la a favor da aprendizagem, propondo discussões sobre as vivências dos alunos, formando alunos críticos.

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